Afetos em análise e regulação emocional autodesenvolvida no processo terapêutico
- gildacarvalhopsi
- 16 de fev. de 2025
- 3 min de leitura
O afeto é o eixo central para entendermos as emoções e sentimentos, sua gênese está nas relações interpessoais, ou seja, em como nós afetamos e somos afetados pelo mundo em que vivemos. Na psicanálise o afeto é fundamental para o entendimento da dinâmica psíquica. O afeto é uma energia psíquica envolvida pelo desejo de alcançar um determinado objetivo, e, é um fenômeno contínuo no corpo.
A importância dos afetos
"Penso em ficar só, mas minha natureza pede diálogo e afeto”.
Lya Luft

Vale ressaltar que de alguma forma acabamos exteriorizamos a maneira que somos afetados subjetivamente pelo outro, já que carregamos internamente experiências que nos marcam profundamente, e refletem de maneira positiva ou negativa nos relacionamentos que estabelecemos ao longo da vida.
Por isso, entender como e porque agimos em situação diversas, contribui para conhecermos o conjunto de reações emocionais e até fisiológicas, que são desencadeadas por condições saudáveis ou doentias, dependendo das experiências afetivas vivenciadas.
A subjetividade saudável está condicionada a trocas afetivas seguras. Desde a infância estamos em contato com o outro e em constante construção de uma rede afetiva que desencadeia estados emocionais e abrangem uma variação de sentimentos humanos, desde os mais confortáveis aos mais angustiantes. E, esta constituição emocional é algo dinâmico e recorrente a partir do nascimento até o momento final da vida.
Diante disso, elencamos que vazios existenciais, rompimentos de vínculos, ocorrências traumáticas, abandonos afetivos, perdas significativas, contato com sofrimentos transgeracionais, ou seja, por história familiar influenciam sobremaneira na qualidade das conexões que estabelecemos com o mundo exterior. Essas situações produzem sentimentos e emoções, mobilizando nossas ações, pensamentos, valores e estados adoecimentos.
Quando o sujeito tem um histórico de relações interpessoais mais saudáveis, e amparo em situações angustiantes, contorna-se as dores emocionais com mais resiliência e facilidade, adquirindo inclusive predisposição para cuidar mais de si e do outro, sem que seja ameaçada a sua integralidade, individualidade e independência.
Ao entender melhor o que sentimos, saímos das margens de nossa própria existência, enquanto expectadores dos sentimentos que nascem em nós, e constituímos mais domínios diante das desorganização afetivas. Quando suportamos e tratamos os nossos vazios, abrimos espaço para reinventar outras formas de lidar com a dor, porque aí de fato nos apropriamos da confiança em alcançar o que ainda não somos.
É nisso que se constitui a beleza do trabalho psicanalítico, decifrar os aspectos inconscientes que envolvem esta interação entre afeto e a produção de sintoma apresentado nas entrelinhas das ações e na fala do paciente e aparecendo na superfície de seus atos, emoções, sofrimentos, sintomas e determinando seu modo de vida.
A funções significativas da psicoterapia
Por último, vale enfatizar que somente através do trabalho psicoterapêutico é possível acessar e compreender os afetos e ideias reprimidas e promover transformações subjetivas relevantes com base no manejo clínico do campo afetivo que é inseparável dos pensamentos e desejos, sendo fundamental para a compreensão da complexidade do ser humano e da coexistência do que é seu e o que é do outro.
Contudo, superar os vazios afetivos requer um olhar atento e autodesenvolvido de si mesmo, para de fato superar conexões afetivas antecedentes e atuais adoecidas, estas são capacidades que a psicoterapia pode proporcionar. Ou seja, o gerenciamento e o aumento do repertório emocional, assim como a disposição para estabelecer novas relações também advém da confiança, autonomia e de capacidades construídas e estimuladas no ambiente terapêutico. Superar vazios afetivos é um processo gradual, requer desejo, paciência, empoderamento, percepção de si e também apoio profissional, sendo assim, é possível iniciar as mudanças para atingir experiências de vida mais significativas e auto realizadoras.
Por: Gilda Carvalho


Comentários